Publicado a 17 agosto 2026 · Tempo de leitura 5 minutos · Escrito por Marta Coelho
"Não percebes nada."
Quatro palavras. No entanto, podem paralisar um pai/mãe completamente. Porque há uma acusação nessas quatro palavras que vai directo ao coração: Estou a tentar. Amo-te. Mas dizes que não percebo.
E nesse momento de impacto emocional, o teu primeiro instinto é muitas vezes errado.
"Percebo perfeitamente bem, aliás..." (Defesa) "Bem, podias explicar melhor!" (Contra-ataque) "Sabes o quê? Tens razão. E estou cansado/a." (Rendição)
Mas nenhuma destas respostas aborda o que se está realmente a passar. E é nestes momentos que pais e adolescentes se perdem um do outro.
Quando o teu filho/a diz "Não percebes nada," não está literalmente a dizer: "Não consegues pensar." O que está a dizer é:
"A minha experiência é tão diferente da tua que não acredito que me possas acompanhar."
Ou por vezes, mais simplesmente:
"Sinto-me sozinho/a nesta emoção. E preciso que alguém me ouça."
É uma expressão de isolamento, não um julgamento sobre a tua inteligência.
Há algo em nós — como pais — que assume que o nosso trabalho é compreender. Lemos os blogs. Fizemos um curso de parentalidade positiva. Tentamos.
E depois o teu filho/a diz que não percebes. E é como se todo o teu esforço desaparecesse.
Mas aqui está a verdade incómoda: provavelmente não percebes. Não completamente. Não da forma como ele/a está a vivê-la.
Tens 45 anos. O teu filho/a tem 14. O teu cérebro, as tuas experiências, a tua compreensão do mundo — tudo isto é fundamentalmente diferente.
E está... bem.
No coaching parental em Rolle e na Suíça Francófona, observei que os pais que navegam bem nestes momentos fazem uma coisa: deixam de defender a sua compreensão e reconhecem a incompreensão.
Aqui está como é:
Momento 1: Respira O teu filho/a grita "Não percebes nada!" Sentes o calor a subir. Estás a ponto de responder. Não. Respira. Tens 5 segundos para te recompores emocionalmente.
Momento 2: Reconhecimento simples "Tens razão. Provavelmente não sei exactamente como é para ti."
Nota: não é "Claro que percebo, deixa de ser dramático..." É uma admissão honesta. E muda tudo.
Momento 3: O convite
Subscreva a newsletter para receber os próximos diretamente no seu email.
Este convite faz duas coisas. Primeiro, reconhece que o teu filho/a é o especialista da sua própria vida. Segundo, dá-lhe um papel activo — não como vítima, mas como guia.
Momento 4: Escuta profunda E depois ouves. Sem conselhos. Sem correcções. Sem "Quando eu tinha a tua idade..."
Apenas ouves. E reflectes o que ouves: "Portanto, o que dizes é..."
Aqui está o que noto: quando os pais deixam de defender a sua compreensão e começam a cultivar humildade, as crianças falam mais.
Porque há algo incrivelmente poderoso em ser visto/a por alguém que diz honestamente: "Não percebo. Mas gostava."
É o oposto completo do julgamento. É uma abertura.
Um aviso: por vezes, pais que ouvem "Não percebes nada" demasiadas vezes tornam-se excessivamente acomodatícios. Começam a aceitar agressão verbal. Abandonam limites.
Não é isto que estou a encorajar.
Há uma diferença entre:
O primeiro é emoção bruta. O segundo é uma violação de respeito. E sim, os limites existem ainda.
"Sinto que estás realmente zangado/a. E estou aberto/a a ouvir. Mas não vou ser tratado/a assim. Vamos fazer uma pausa e voltamos a falar quando pudermos ser respeitosos."
Isso é parentalidade consciente. Humildade + limites claros.
Aqui está o que poucos pais realizam: quando aceitas que não percebes "nada" e ainda assim estás lá, ensinas ao teu filho/a algo fundamental.
Ensinas-lhe que o amor não requer compreensão perfeita. Que podemos estar ligados mesmo na diferença. Que a vulnerabilidade — dizer "Não sei" — é força, não fraqueza.
É a fundação de todas as relações humanas saudáveis.
Se estes intercâmbios de "Não percebes nada" se tornam regulares e o conflito se intensifica, é um sinal. Não um sinal de que falhaste. Um sinal de que é hora de procurar apoio externo.
A parentalidade de um/a adolescente é um papel sem script claro. Fazes o teu melhor com as ferramentas que tens. E por vezes, é exactamente quando reconheces os teus limites que te tornas verdadeiramente eficaz.
MC-TERRA oferece acompanhamento individual e familiar para pais na Suíça Francófona. Marta Coelho, coach emocional baseada em Rolle, utiliza PNL, constelações familiares e uma abordagem profundamente empática para te ajudar a navegar estes momentos difíceis — e transformá-los em oportunidades de ligação.
Marca uma sessão de coaching com Marta e descobre como restaurar o diálogo com o teu adolescente.