Publicado a 3 agosto 2026 · Tempo de leitura 5 minutos · Escrito por Marta Coelho
Recordas-te do dia em que o teu filho/a te falava de tudo? Dos amigos da escola, das emoções, das pequenas alegrias e tristezas do dia a dia? E depois, um dia — normalmente à volta dos 12-13 anos — as portas começaram a fechar-se. O silêncio instala-se. E quando falam, muitas vezes é para afastar as tuas tentativas de ligação.
O que poucos pais realizam é que nós contribuímos ativamente para esse encerramento. Não por maldade, claro. Mas por frases que, mesmo com as melhores intenções, criam um sentimento de incompreensão e julgamento no adolescente.
Como coach parental na Suíça Francófona há vários anos, vi três frases regressarem como um refrão destrutivo nas famílias. E a boa notícia? São fáceis de reconhecer e substituir.
Conheces bem. O teu adolescente volta da escola com lábios pincados, sobrancelhas franzidas. Sentes que há algo. E a tua reação instintiva? "Para de andar com essa cara. O que é que eu fiz?"
O que ele/a ouve: "As tuas emoções incomodam-me. Esconde-as."
É um encerramento instantâneo. Acabaste de pedir ao teu adolescente que sufoque o que sente e finja que tudo está bem. Exactamente o que não queres que ele/a faça na vida real.
A reformulação: "Vejo que algo te preocupa. Estou aqui se quiseres falar."
Esta frase faz três coisas: reconhece a emoção dele/a, respeita o seu ritmo (sem obrigação), e abre a porta. Diz: "As tuas emoções são válidas. Estou do teu lado." É um convite, não uma acusação.
Ah, esta. Surge quando o teu adolescente enfrenta qualquer dificuldade. Um conflito com um amigo, uma decepção amorosa, medo de um teste na escola. E tu, vendo a oportunidade pedagógica, abres a boca: "Quando eu tinha a tua idade, nunca..." ou "Se eu estivesse no teu lugar, eu..."
O que ele/a ouve: "És fraco/a. Eu conseguia melhor. Não estás à altura."
A intenção é oferecer sabedoria e perspectiva. Mas o que entregas, implicitamente, é um julgamento comparativo. E os adolescentes odeiam isto.
A reformulação: "É difícil o que estás a atravessar. Conta-me mais."
Depois, depois de se ter exprimido: "Quando vivi algo parecido, o que me ajudou foi... mas talvez para ti seja diferente?"
Vê a diferença? Ouves primeiro. Validas. Depois, se apropriado, ofereces a tua experiência — não como a solução, mas como um recurso a considerar.
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O teu filho/a vive uma rutura amigável. Era uma amizade que durava desde o primário. Para ti, é um ciclo normal. Para ele/a, é o drama da vida dele/a. E tu, desgastado/a vendo o teu filho/a sofrer, soltas: "Não sejas dramático/a. Não é grave. Voltam a falar..."
O que ele/a ouve: "As tuas emoções não são justificadas. És demasiado sensível. Para de te queixar."
Mais do que fechar a comunicação, esta frase valida a mensagem de que as emoções dele/a são "más". E isto é uma bomba relógio para a autoestima e regulação emocional.
A reformulação: "Vejo que isto é muito difícil para ti agora. Diz-me o que mais te faz falta."
Não importa se, objectivamente, "não é grave." Para ele/a, é. E essa é a única realidade que importa. Validar a profundidade da emoção não significa que concordes que é catastrófico. Significa que respeitas o coração dele/a.
Estas três frases — "Para de andar com essa cara", "Quando eu tinha a tua idade", "Não sejas dramático/a" — partilham uma estrutura comum. Todas dizem a mesma mentira ao coração do teu adolescente:
"Não compreendo por que te sentes assim. E honestamente, não tenho a certeza de querer compreender."
Os adolescentes captam essa distância como radar. E é então que se fecham, procurando validação noutro lado — com amigos que não os/as compreendem melhor, mas que pelo menos não julgam.
Se reconheces estas frases no teu próprio vocabulário parental, não te julgues. Todos os pais que acompanho usam uma ou outra. O que importa é a consciência.
A partir de agora, quando sentires uma destas frases a subir, respira. Pergunta-te: "O que quero realmente? Que o meu adolescente fique calado/a? Ou que o meu adolescente confie em mim?"
A resposta vai guiar as tuas palavras.
A comunicação pai-adolescente é uma dança. Aprende-se. E como qualquer dança, requer prática e auto-compaixão.
Se sentires que o silêncio se adensa, que a ligação se desgasta, que os conflitos se arrastam — não estás sozinho/a. As famílias da Suíça Francófona enfrentam os mesmos desafios. E existem ferramentas, abordagens testadas, que funcionam realmente.
MC-TERRA acompanha os pais em coaching emocional para restaurar o diálogo e fortalecer a ligação pai-adolescente. Marta Coelho, baseada em Rolle, oferece sessões individuais e familiares adaptadas à tua situação. Porque cada família tem a sua própria dinâmica. E cada adolescente merece um pai/mãe que verdadeiramente veja as suas emoções.